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Bondalti conclui projeto de descarbonização de 76 milhões de euros em Estarreja

A conclusão do REPower Chemicals (REPower), um projeto de larga escala de descarbonização industrial da Bondalti, foi anunciada dia 30 de julho num evento oficial que contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado.

O REPower mobilizou um investimento global de 76 milhões de euros, incluindo o maior apoio da componente C11 destinada à descarbonização da indústria do Programa de Recuperação e Resiliência no valor de 32 milhões de euros.

Integrando cinco projetos de descarbonização, o REPower marca um ponto de viragem rumo a uma operação de baixo carbono da Bondalti, mais autónoma e competitiva no panorama europeu.

Com o REPower, a Bondalti procedeu à profunda transformação da infraestrutura que suporta a sua operação, assente em tecnologias mais eficientes e alinhada com o seu compromisso de redução de emissões:

  • Reconversão da eletrólise de salmoura: Constituindo o núcleo do processo produtivo da Bondalti, a antiga tecnologia foi substituída por nove novos eletrolisadores de última geração. Com um investimento de 41 milhões de euros, esta reconversão gerou ganhos expressivos de eficiência energética, fiabilidade e robustez operacional.
  • Implementação de parques solares para produção de energia renovável para autoconsumo: Encontram-se em operação dois parques solares fotovoltaicos com uma potência instalada de cerca de 30 MWp, compostos por mais de cinco mil painéis numa área de aproximadamente 30 hectares, instalados pela Greenvolt e pela Voltalia. Estes parques permitem assegurar 17% do consumo anual de energia elétrica da unidade de cloro-álcali da Bondalti. Atualmente, a incorporação de fontes renováveis nas instalações da empresa no complexo industrial de Estarreja já ascende a 44% do total da energia consumida.
  • Instalação de baterias para armazenamento de energia: Num projeto pioneiro em Portugal à escala industrial, foi instalado um sistema modular de armazenamento de energia elétrica de 12 MW de potência e 12 MWh de capacidade de armazenamento. Este sistema, instalado pela EDP, permite armazenar os excedentes de eletricidade produzidos pelos parques fotovoltaicos, aumentando o autoconsumo de energia renovável e reforçando a flexibilidade das operações e a resiliência energética da unidade industrial.
  • Nova subestação e reforço da infraestrutura elétrica: a intervenção integrou dois projetos fundamentais para garantir a capacidade de receção de energia da Bondalti, num investimento global de cerca de 8 milhões de euros. Em paralelo, a EDP executou a ampliação e modernização da subestação elétrica da fábrica de cloro-álcali, permitindo reforçar a capacidade de alimentação e a fiabilidade da infraestrutura elétrica existente assim como a ligação dos parques fotovoltaicos e do sistema de armazenamento de energia.
  • Instalação de caldeiras elétricas: peça central da estratégia de eletrificação do RePower, as caldeiras elétricas instaladas permitem, em regime normal de operação, substituir integralmente o gás natural utilizado na produção de vapor por cerca de 35 GWh/ano de eletricidade renovável. Esta solução permite reduzir significativamente o consumo de gás natural e as emissões de âmbito 1 daí resultantes, bem como diminuir a exposição à volatilidade dos mercados energéticos.

Para a concretização do projeto, foram essenciais o contributo e a cooperação com parceiros de referência na transição energética em Portugal. No desenvolvimento das soluções de produção renovável e armazenamento de energia, a Bondalti contou com o apoio de entidades como a EDP, a Greenvolt e a Voltalia.

Na cerimónia de apresentação pública da conclusão do REPower, João de Mello, presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Bondalti, destacou que “a indústria química, pela sua natureza, e a transformação industrial, pelos seus benefícios para a sustentabilidade ambiental, são fundamentais para atingir a neutralidade carbónica. No entanto, a indústria europeia, nomeadamente a indústria química, atravessa um contexto particularmente adverso. Só através de uma verdadeira transformação industrial será possível acompanhar o ritmo exigido para cumprir as metas climáticas. O REPower demonstra que essa transformação é possível. Mas é urgente acelerar este caminho, criando as condições para que a indústria continue a investir, a descarbonizar e a competir. Porque precisamos de uma política ambiental que reduza as emissões, mas não a indústria”.

Impacto ambiental e ambição climática renovada

No seu conjunto, o REPower contribui decisivamente para uma operação de baixo carbono da Bondalti, permitindo à empresa evitar a emissão de mais de 36 mil toneladas de CO₂ por ano, o que representa uma redução próxima de 28% das emissões de âmbito 1 e 2 face aos valores de 2019.

Mais que um ponto de chegada, a conclusão do REPower é um acelerador da estratégia climática da Bondalti. Refletindo o seu posicionamento na liderança da transição energética do setor industrial em Portugal, a Bondalti compromete-se a reduzir as emissões de GEE dos âmbitos 1 e 2 em 63% até 2035, tendo como ano de referência 2023. Este objetivo de curto-médio prazo espelha o rigor e o compromisso efetivo da empresa com a neutralidade carbónica.

Para David Lopes, COO da Bondalti, “o projeto REPower Chemicals transformou profundamente a infraestrutura da Bondalti, com novos eletrolisadores de última geração, parques solares em autoconsumo e o primeiro sistema de armazenamento de energia desta dimensão integrado numa operação industrial em Portugal. O resultado é uma operação mais eficiente, mais fiável e mais autónoma, e uma prova concreta do compromisso da Bondalti com a sustentabilidade e com a transição para uma indústria química de baixo carbono, permitindo a redução anual de 36 mil toneladas de CO₂”.

Para Vera Pinto Pereira, administradora executiva da EDP e CEO da EDP comercial, “a parceria com a Bondalti mostra que a transição energética já não se faz apenas com produção renovável, mas com uma gestão de energia mais inteligente e integrada. Ao longo dos últimos anos, a EDP tem vindo a trabalhar com a Bondalti para transformar a energia num fator ativo da operação industrial, combinando solar, armazenamento e a adaptação da infraestrutura elétrica. Este projeto demonstra a importância de soluções ajustadas a cada cliente, baseadas num conhecimento profundo das suas necessidades”.

Para João Manso Neto, CEO do Grupo Greenvolt, “projetos desta dimensão demonstram que a descarbonização da indústria é hoje uma realidade que se constrói com visão, capacidade de decisão e execução. O contributo da Greenvolt para este projeto de referência em Portugal, através de soluções de produção de energia renovável para autoconsumo, demonstra como estas soluções podem, em simultâneo, acelerar a descarbonização, reduzir custos e reforçar a autonomia energética, contribuindo para aumentar a competitividade das empresas".

Para Rui de Carvalho, country manager da Voltalia Portugal, “a participação da Voltalia no REPower demonstra o papel fundamental das energias renováveis na descarbonização da indústria. Temos muito orgulho em ter contribuído para um projeto pioneiro, que evidencia como a combinação de ambição, inovação e colaboração pode acelerar a transição energética, reforçando simultaneamente a competitividade e a sustentabilidade da indústria portuguesa".