
A batalha invisível pela segurança alimentar
Antes de um alimento chegar ao consumidor, existe uma condição essencial que tem de ser garantida: tudo o que entra em contacto com ele deve estar devidamente limpo e controlado. Equipamentos, tubagens, depósitos, superfícies de trabalho ou sistemas de armazenamento podem tornar-se pontos de acumulação de resíduos e microrganismos se não forem sujeitos a processos rigorosos de higienização. A química desempenha um papel central nesta linha de defesa invisível.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 600 milhões de pessoas adoecem todos os anos devido ao consumo de alimentos contaminados, o que corresponde a praticamente uma em cada dez pessoas no mundo.
As causas são diversas, mas muitas situações estão associadas à presença de bactérias, vírus, parasitas ou substâncias contaminantes que podem entrar na cadeia alimentar durante a produção, transformação, armazenamento ou transporte dos alimentos. Garantir a segurança alimentar exige, por isso, muito mais do que controlar a qualidade dos produtos finais. É necessário assegurar que todo o processo decorre em condições adequadas de higiene.

Limpar não é o mesmo que desinfetar
Quando se fala de higiene alimentar, os termos “limpeza” e “desinfeção” são frequentemente utilizados em conjunto. No entanto, não significam a mesma coisa.
A limpeza tem como objetivo remover resíduos de alimentos, gorduras, proteínas e outras matérias orgânicas que se acumulam nas superfícies e nos equipamentos. Já a desinfeção procura reduzir a presença de microrganismos potencialmente perigosos para níveis considerados seguros.
Esta distinção é importante, porque uma superfície pode parecer limpa a olho nu e continuar a albergar bactérias ou outros microrganismos. Da mesma forma, a eficácia da desinfeção depende frequentemente de uma limpeza prévia adequada, que elimine os resíduos capazes de proteger estes organismos da ação dos desinfetantes.
Em ambos os casos, a química fornece as substâncias e os processos que permitem atuar sobre os fatores que favorecem a contaminação alimentar.

Nos bastidores da higienização
Nas instalações de produção alimentar, a remoção de resíduos exige o recurso a substâncias químicas capazes de atuar sobre diferentes tipos de sujidade.
As soluções alcalinas à base de soda cáustica (hidróxido de sódio) são amplamente utilizadas para remover gorduras, proteínas e outros resíduos orgânicos. A sua ação química permite decompor ou solubilizar substâncias que seriam difíceis de eliminar apenas com lavagem.
Já os produtos ácidos desempenham um papel diferente. Substâncias como o ácido nítrico ou o ácido clorídrico são utilizadas para remover incrustações minerais, depósitos calcários e outros resíduos que se podem acumular em tubagens, tanques e equipamentos industriais.
Muitas destas operações são realizadas através de sistemas CIP (“clean in place”), que permitem limpar o interior dos equipamentos sem necessidade de desmontagem. Nestes sistemas, soluções de limpeza circulam de forma controlada através das instalações, assegurando uma higienização eficiente.
Depois da limpeza, é necessário atuar sobre os microrganismos que possam permanecer nas superfícies ou nos equipamentos.
O hipoclorito é um dos compostos mais utilizados para este fim. Quando dissolvido em água, gera compostos que atacam proteínas, enzimas e membranas celulares. Ao comprometer o funcionamento destas estruturas, dificulta a sobrevivência e multiplicação dos microrganismos.

O rigor está nos detalhes
A eficácia destes processos não depende apenas das substâncias utilizadas. Concentração, temperatura, tempo de contacto, enxaguamento e monitorização microbiológica são fatores igualmente importantes.
Na prática, isso significa que a mesma substância pode produzir resultados muito diferentes consoante a forma como é utilizada. É por isso que os processos de higienização seguem protocolos rigorosos, concebidos para garantir uma limpeza e desinfeção eficazes.
Em Portugal, empresas como a Bondalti integram esta cadeia de segurança alimentar através da produção de substâncias como soda cáustica, hipoclorito, ácido nítrico e ácido clorídrico, utilizadas em processos de limpeza, desinfeção e tratamento industrial.
Embora raramente visíveis para o consumidor, estas soluções ajudam diariamente a assegurar que os alimentos são produzidos em condições de higiene adequadas e chegam ao mercado com elevados padrões de segurança.







